sábado, 23 de dezembro de 2017

Novas armas

Custou, mas o Dragão viu o que não via há três anos: o FC Porto ganhar um jogo na Taça da Liga. E fê-lo porque encarou estes 90 minutos como se não fossem... a Taça da Liga, pelo menos a avaliar pelo historial recente. Mais uma exibição séria, eficaz, sólida defensivamente e com a equipa novamente a mostrar a sua nova face no ataque - uma equipa que deixou de recorrer ao passe longo de 40 metros para tentar meter a bola nos avançados e que aprendeu a descobrir o espaço e as diagonais dos seus avançados. 


O FC Porto melhor imenso nas últimas semanas e está a apenas quatro remates certeiros de chegar aos 100 golos esta época - e 2017 ainda nem terminou, sendo que nos últimos 50 anos só Pedroto e Artur Jorge chegaram tão rápido a esta marca de golos. Sérgio Conceição bateu taticamente um dos treinadores mais interessantes e uma das equipas mais organizadas desta Liga e o FC Porto volta a ter perspetivas de apuramento na Taça da Liga, uma prova que - não há dúvidas - Sérgio Conceição quer vencer. E continua a haver muito de contagiante nessa sede de ganhar.




Estratégia e pragmatismo (+) - O Rio Ave é uma equipa diferente das demais no Campeonato. É, aliás, a equipa com maior percentagem de bola na Liga, à frente de FC Porto e Benfica, e insiste em tentar sair a jogar de forma organizada, sem chutão para a frente. Sérgio Conceição aproveitou isso e usou-o contra o adversário, com uma pressão fortíssima na saída do Rio Ave. Prova disso é que, no lance do 1x0, o FC Porto consegue ter 6 jogadores a atacar o início de construção do Rio Ave, que tinha apenas 4 unidades naquela zona. Ou o Rio Ave recorria ao chutão, algo que não gosta de fazer, ou ia perder a bola naquele momento. Ganhou o FC Porto.

Novamente, o espaço interior (+) - É uma repetição dos elogios nas últimas semanas, mas merece continuar a ser realçado: o fim do pontapé longo para a frente. O FC Porto lê cada vez melhor o espaço interior, como voltou a ser exemplo a assistência de Brahimi para Marega. O argelino tira um adversário do caminho, também após um bom trabalho de pressão da equipa, e rapidamente encontra uma via rápida para Marega entrar nas costas da defesa. Este tipo de movimento tem sido executado cada vez melhor e é mais uma arma a juntar à equipa que mais golos de bola parada faz na Europa neste momento.


Tudo à volta de Herrera (+) - Mais um par de boas exibições de Alex Telles e Ricardo, em constante profundidade no flanco e fiáveis a defender; Danilo sólido na retaguarda; Brahimi a desequilibrar por dentro; Soares e Marega a apareceram várias vezes em zonas de finalização e a libertarem-se dos centrais. Tudo funcionou no FC Porto, apesar do apagão na segunda parte, e isso teve um denominador comum: a organização à volta de Herrera. É preciso uma assistência de calcanhar? Herrera faz. É preciso ir aos flancos tabelar? Herrera vai. É preciso pressionar o portador da bola? Herrera corre. É preciso dar soluções a Danilo na saída de bola? Herrera aparece. É preciso transportar a bola? Herrera leva-a com ele. É preciso um capitão? Herrera diz presente. 




Cabeça. É preciso cabeça (-) - Não é propriamente um Machado, mas antes um lembrete para o que aí vem. O Benfica tem duas meras preocupações até ao final da época: o Campeonato e os e-mails. Em ambos os casos, trata-se de uma luta fora de campo. E não é coincidência que Felipe e Danilo tenham sido visados com acusações de «Vale tudo» nas últimas semanas. E coincidência ou não, primeiro vemos Felipe ser expulso de fora desnecessária na Champions, de cabeça perdida, a coroar uma série de exibições menos conseguidas; e agora Danilo, num jogo que estava completamente controlado e sem motivos para nervos, habilitou-se à expulsão com a chapada na bandeirola de canto. É uma expulsão ridícula, evitável, mas que está prevista nas leis de jogo. Mais do que nunca, é portanto preciso cabeça, muita cabeça.

O Tribunal do Dragão deseja a todos os leitores um Bom Natal a uma feliz época festiva, com renovações do desejo de que o melhor presente só seja desembrulhado em Maio.

2 comentários:

  1. muito golo desperdiçado, muito esforço desperdiçado. danilo estava estoirado como estava herrera, os jogadores cansados cometem mais erros. Com um plantel curto nao podemos por de lado soliveira e oliver, tenham santa paciencia e e masoquismo pela certa. Nao tarda assim teremos mais alguns jogadores com lesoes musculares o que sao sempre 1 a 2 meses de paragem. SC tem de parar para pensar e o clube tem e contratar 2 medioa a serio mas que sejam do agrado do treinador ou vao para a bancada e epois adeus vindima. Um def central seria bem vinbdo, relembro mais uma vez que temos um medio de top na B o luizao e so uma questao de nao se ser teimoso. Ponta de lança de trabalho e forte temos na B pereira, um avançado rapido temos na B galeno, um def central muito bom ( pelo menos um ) temos na B leite, um medio criativo, que chuta bem e trabalha temos na B varela.

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